Savassi recebe exposição do gravador e escultor Arthur Piza
quinta-feira, 7 de março de 2013Aos 84 anos, Arthur Piza anuncia: “Estou garimpando sonhos”. O artista plástico é celebrado no Brasil e no exterior pela obra que traz, de forma sempre radical, o exercício experimental da liberdade – ou seja, a própria definição de arte, segundo o crítico Mário Pedrosa (1900-1981). A partir de sexta-feira, trabalhos do inquieto paulista poderão ser conferidos na galeria Murilo de Castro, na cidade de Belo Horizonte.
Tramas’ reúne 40 peças recentes, criadas com telas de metal, colagens e gravuras. Piza, que mora há mais de 50 anos em Paris, não virá à capital. “Estou dentro de tudo que faço. Então, o importante é o exposto. É melhor ver a exposição sem o artista ao lado. Às vezes, os artistas não coincidem fisicamente com a obra”, observa ele.
Se Arthur Piza não desembarcará em Minas, enviou um pequeno texto a respeito do que aguarda os mineiros. “Nos trabalhos grandes, lanço redes para pescas cotidianas. São filtros experimentais. As pequenas caixas, que multiplico com voracidade, são como pedaços de mim. Doce paranoia? Não sei responder. Não tem importância. Porque é no ato de olhar ou de ver que algo pode acontecer, e não no que eu possa escrever sobre as obras”, afirma ele. E acrescenta, bem-humorado: “Gostaria de estar com vocês. Só que a distância que nos separa é grande. E não há – por enquanto – varinha mágica para anulá-la”.
Assim ele define seu ofício: garimpo de ideias e obras. “O importante é procurar”, argumenta Piza. Ver materiais, formas e cores se ajustando e se acomodando, “fazendo surgir coisas que surpreendem inclusive a mim”. Por esse motivo, o encanto com o trabalho não se apagou depois de meio século de profissão. “Isso é o melhor das artes”, garante ele.
Piza ainda se surpreende com as surpresas trazidas pelo ato de criar. Deliberadamente, evita a expressão “mistério da criação” para comentar o assunto. “Mistério é estarmos vivos”, pondera, deixando claro que não enfatiza os aspectos racionais da elaboração artística: “Se eles existem, não sei dizer”.
O uso das telas de metal surgiu do mesmo modo como o de outros materiais com os quais trabalhou, como papéis cortados, capachos e chapas de metal. Ou seja, do cruzamento de procedimentos ligados a duas linguagem onipresentes em sua obra: a gravura em metal e o desenho (e aquarelas).
De um lado, Piza cita seu trabalho “de escultor”, com o emprego no bairro da Savassi do martelo “para fazer buracos em chapas de metal”. De outro, cita a dedicação a técnicas delicadas e o encanto com a sensualidade da cor. A soma desses dois aspectos resulta em colagens, relevos e séries inteiras cujas formas coloridas saltam da superfície para o espaço. “Cada coisa é uma experiência. Brinco com tudo. É assim que se chega a coisas interessantes”, garante.
Uso de metal é em contraste com outros materiais é uma das características do trabalho de Arthur Piza.
O paulista Arthur Luiz Piza estudou com o pintor Antônio Gomide (1895-1967). Nessas aulas, conheceu a colega Clélia, com quem se casou em 1949. Em 1951, o casal partiu para a Europa e se fixou em Paris, onde Piza estudou com Johnny Friedlander.
“Adoro Paris, pois essa cidade tem história, passado, uma vida. Pensei que voltaria ao Brasil, mas fui ficando e me acostumei. Aqui, tenho amigos e os museus, onde posso me agarrar. O que detesto na cidade é o mesmo que detesto em qualquer lugar: nazistas, fascistas. Mas isso existe em qualquer lugar”, conta ele, por telefone.
A idade, deixa escapar, vem trazendo alguma aflição. “Fico com a impressão de que tenho de dizer tudo já, porque não há muito tempo. Estou trabalhando como nunca”, revela.
O artista já ganhou belas exposições em Belo Horizonte. Ao falar de Minas Gerais, esse admirador do escritor João Guimarães Rosa conta uma história. Certa noite, durante uma viagem a Creta, na Grécia, com a mulher, ele se hospedou numa casa de praia. O casal tentou se comunicar com um grupo que cantava na areia. “Como não falávamos a língua, sugeriram que cantássemos algo brasileiro. Sobrou para mim o ‘Oh! Minas Gerais’. E me ficou, então, a imagem de Minas como o lugar de que não se esquece jamais”, relembra.
Obras de Arthur Piza compõem as coleções da Biblioteca Nacional de Paris, da Galeria Nacional de Arte Moderna de Roma e dos museus de arte moderna de São Paulo, de Paris e de Belgrado. Nos Estados Unidos, há trabalhos dele em instituições como o MoMa e o Museu Guggenheim. Como gravador, Piza ganhou prêmios nas bienais de São Paulo, Veneza, Florença, Cracóvia e da Noruega.
Abertura amanhã, às 19h, para convidados Os trabalhos poderão ser conferidos pelo público de sexta-feira até 12 de abril
Local: Galeria Murilo Castro Endereço: Rua Antônio de Albuquerque, 377, sala 1, Savassi.
Telefone: (31) 3287-0110
Funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e sábado, das 10h às 14h.
Fonte: Uai.com.br
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