Savassi: Espaço do Cineclub é reaberto
quinta-feira, 23 de agosto de 2012Quando o Cineclube fechou as portas em janeiro, a Savassi verteu lágrimas copiosas pelo filho perdido. Verdade seja dita: talvez houvesse, no meio dessas lágrimas, algumas de crocodilo, visto que as sessões não andavam lá um sucesso de público. Para o bem ou para o mal, fato é que em meio a impasses administrativos – dentre eles uma liminar que envolveu uma disputa com a atual direção do Belas Artes e culminou na perda de patrocínio da Usiminas -, o cinema encerrou em 2012 uma história que começou em 1988, quando o local foi um marco nos cinemas da cidade. Encerrou?
Contrariando o típico jeitinho belo-horizontino de tratar os cinemas de rua – que não poupou o Pathé, novamente convertido em estacionamento -, o Cineclube reabriu nesta quarta-feira (22), com algumas modificações, é claro. O grupo de empresários do Graças a Deus, que controlam um bar, uma boite e um pub em Belo Horizonte (Graças a Deus, Demodée e Duke n’ Duke), reinaugurarou o local sob o título de CCCP – Cult Club Cine Pub.
A promessa do espaço é manter o vínculo com o cinema e as artes sem a sisudez de um cinema ou galeria tradicionais – como atesta a parede descascada, logo na entrada do CCCP, ou o balcão equipado com uma trave de chopp com 15 torneiras. “Queremos acabar com esse paradigma de que arte é Humberto Mauro e boate é só diversão”, comenta um dos sócios do estabelecimento, o publicitário Frederico Garzon.
A programação irá misturar bar, restaurante, shows, exposições, teatros e festas – além de manter o projetor 35 mm, que vai exibir filmes de produtores independentes, inicialmente, aos domingos. “Queremos trazer diretores que não têm onde mostrar os trabalhos”, explica Frederico. O CCCP conta com a curadoria de cinema de Gustavo Brandão e Júlia Nogueira. Também serão exibidas projeções digitais de parceiros e artistas locais durante o funcionamento da casa.
O retorno da Savassi
Como tem se tornado praxe entre empresários da Savassi, Frederico não divulga o valor do aluguel do imóvel. Segundo ele, o grupo estava buscando local para abrir um estabelecimento quando um amigo apresentou a proposta de alugarem o espaço do Cineclube. E a proposta só foi fechada depois de muita negociação. “Negociamos até chegar ao limite da viabilidade. A Savassi está exagerada, as pessoas estão sem noção. Por exemplo, os R$ 65 mil que pediram pelo Pathé, isso não existe”, questiona.
“O que faz sucesso em BH são bandas cover de rock clássico e sertanejo”, critica Frederico, que aposta em um cenário cultural diferente para a Savassi.
Na visão de Frederico, apesar da alta dos preços nos aluguéis da região, a Savassi está voltando a ser um ponto importante no cenário cultural da cidade. “Minha aposta é que a médio prazo ela se torne novamente referência na noite em BH”, arrisca. Apesar das expectativas, Frederico não deixa passar a oportunidade para cutucar a cena. “O que faz sucesso na cidade de Belo Horizonte são bandas cover de rock clássico e sertanejo. Apesar de termos grandes grupos de cultura, como o Galpão, Giramundo, Corpo, eles se apresentam duas vezes por ano na Praça do Papa. No mais estão em grandes teatros, com ingressos caros, fora de alcance do grande público”, critica.
O CCCP
A casa irá funcionar de terça a domingo, com happy hour a partir das 18h, exceto aos sábados, quando abre às 20h. A programação irá se dividir da seguinte forma:
Às terças haverá eventos culturais (aberturas de exposições, lançamentos de filmes, livros, etc).
Nas quartas a casa recebe apresentações de Jazz, inicialmente do trio Neném Ferreira (bateria), Pablo Souza (contrabaixo) e Gustavo Figueiredo (teclados).
Nas quintas, o CCCP recebe festas e projetos da noite belo-horizontina e de parceiros de outros Estados.
Nas sextas e sábados o local se transforma em boate, com DJs convidados.
Aos domingos, no final da tarde, serão exibidos filmes do circuito independente, de produtores locais e clássicos.
O CCCP também irá contar com uma drinqueria e cardápio com pratos internacionais, parte deles inspirados no leste europeu, de onde vem a inspiração e brincadeira para o nome do local – sigla da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), no russo. Os sócios do estabelecimento são Frederico Garzon, Robson Brandão, Fernanda Chagas, Gustavo Ziller e Leonardo Soares.
Fonte: Na Savassi
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