Comércio da Savassi está despreparado para atender turistas estrangeiros
quarta-feira, 17 de outubro de 2012“Se a cidade tem o desejo de investir no seu potencial turístico, tem que haver investimento por parte do Estado”. A fala é de David Marini, tatuador francês que visita pela quinta vez o Brasil.
Acompanhado pela noiva, a brasileira Flávia Buzelin, David Marini aproveitava o happy hour no Café com Letras, localizado na rua Antônio de Albuquerque, quando foi abordado pela reportagem. Sobre suas experiências sozinho nas ruas da Savassi, o francês, que visita a cidade de Belo Horizonte pela segunda vez, tem que apostar nos improvisos para ser atendido pelo comércio. “Quando saio para comprar cigarros, por exemplo, eu consigo me comunicar com os comerciantes. Eles falam um pouco de inglês e a receptividade do povo brasileiro ajuda bastante no atendimento”, explica David.
A situação exposta pelo turista ilustra a realidade de grande parcela dos comércios da Savassi que está despreparada para atender adequadamente o grande número de turistas que a região recebe durante todo o ano, devido à concentração de hotéis. Apostando no improviso e na receptividade, lojistas e atendentes se desvencilham do despreparo para não perder vendas.
Para Revanir Rodrigues, gerente do Café Três Corações, o cardápio adaptado e o baixo domínio de inglês dos funcionários do estabelecimento estão sendo o suficiente para atender a demanda dos turistas. “Não são muitos estrangeiros que atendemos, mas quando vêm, nós conseguimos atender. Alguns garçons improvisam um pouco e os turistas costumam falar português melhor do que a gente”, brinca o gerente.
Já Ana Brasil, que gerencia a loja da Tool Box no Pátio Savassi, garante que o atendimento dos estrangeiros, mesmo que improvisado, é efetivo, e que na maioria das situações eles acabam comprando. “Disponho de duas funcionárias que falam inglês não fluente, mas que conseguem se entender com os turistas. A comunicação existe, mas não é complexa a ponto do vendedor aumentar as vendas além da procura do cliente”, explica.
O Café com Letras, onde encontramos David e a noiva, é uma das exceções da Savassi. O estabelecimento dispõe de equipe preparada para receber estrangeiros e tornou-se ponto referencial para visitantes como David.
Segundo Bárbara Rubim, gerente da casa, esse diferencial rende lucros para o café. “Pelo menos um garçom em cada turno fala inglês fluente”, explica Bárbara, que ressalta a importância dessa capacitação diante a frequência diária do público estrangeiro. O café oferece também de cardápios adaptados para o inglês.
Preparo para o café, preparo com as letras. A livraria do café disponibiliza títulos em inglês e francês e também conta com livreiros capacitados para atender a demanda estrangeira. “Além dos garçons, dois dos três livreiros da casa falam inglês e francês fluente, o que atende bem o número de estrangeiros, sobretudo franceses, que nos visita. Na hora de contratar isso não é uma exigência, mas um diferencial que prezamos”, completa Bárbara.
Com intenção de se firmar profissionalmente em terras brasileiras, David não encara o idioma como um empecilho em suas visitas, mesmo que em certas ocasiões alguns comerciantes tentam ludibriá-lo no troco diante a “inocência” de não falar português. “Quando estou sozinho acontece de tentarem me passar troco errado, mas isso acontece em qualquer lugar do mundo”, explica.
Para o tatuador, se cidade e comerciantes almejam atender turistas, deveriam partir desses o investimento na instrução. “Para receber turistas, estruturas como o transporte público, taxistas e outros serviços deveriam estar capacitados”, ressalta o francês que conta com o auxílio da noiva para pegar táxi em Belo Horizonte.
Em busca da solução
Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014, sendo BH uma das cidades-sedes, empresários buscam soluções para a falta de tato com os estrangeiros. Charles Santana, gestor da Status Café & Cultura, sente a necessidade do preparo de seu pessoal e ressalta as providências a serem tomadas. O gerente e mais dois garçons, que falam inglês, são os responsáveis pelo atendimento da demanda diária de turistas no estabelecimento. “Os turistas são atendidos, mas não da forma que queríamos e que eles desejam”, ressalta o gerente.
Para capacitar seus funcionários visando o fluxo de turistas que deve aumentar com a Copa do Mundo, Charles diz que os proprietários do café têm a intenção de ministrar no próprio local um curso básico de idiomas para a equipe. “Estamos com cardápios provisórios, mas já foi pedido um definitivo com outros idiomas”, conta.
Gabriel Campos, um dos gestores da Livraria Mineiriana, encara a falta de capacitação de seus funcionários como uma necessidade, não somente como uma melhoria para a livraria, mas também para eles próprios. “Aqui na loja, apenas eu e minha sócia falamos inglês. Não é o ideal. Meu interesse é que todos que trabalham aqui falem”, pontua.
A livraria oferece títulos em francês, inglês e espanhol e recebe, numa média diária, de dois a três estrangeiros. Gabriel considera que apenas ele e sua sócia conseguem atender bem a demanda da livraria, mas com a crescente presença de estrangeiros, a capacitação torna-se prioritária. “A comunicação entre vendedores e turistas existe, mas não o suficiente para ampliar as vendas. A livraria precisa capacitar os vendedores e estamos planejando como faremos isso”, conclui.
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Belo Horizonte não desenvolve nenhum projeto específico de capacitação dos comerciantes para atender o público estrangeiro. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, quando manifestado o interesse do lojista em alternativas para se capacitar, ele é encaminhado para o SEBRAE.
Segundo Aline de Freitas, assessora do Sebrae, a agência previa um projeto para a regional Centro-Sul, mas a iniciativa foi interrompida por tempo indeterminado.
Fonte: Na Savassi
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