Cine Pathé deve voltar a funcionar na Savassi em 2015
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013Em 2012, a cidade acompanhou a placa de aluga-se na fachada do Pathé na esperança de que o local pudesse retornar à sua função original. Mas o antigo cinema, ícone da história de BH, acabou sendo alugado, mais uma vez, por um estacionamento privado. O balde de água fria passou e, agora, finalmente, a sala escura vê a luz no final do túnel.
A notícia correu durante muito tempo despercebida da imprensa. Segundo a Fundação Municipal de Cultura, há cerca de dois meses foi aprovado no Conselho de Patrimônio um projeto de reconstrução do Cine Pathé. A proposta é da Farkasvölgyi Arquitetura, responsável pela construção da torre gigante na região do Arrudas, no Santa Efigênia; e da PHV Engenharia, empresa que possui diversos empreendimentos na região da Savassi (como a galeria comercial Savassi Mall II, na rua Sergipe, que deve ser inaugurada em dezembro).
No lote, que foi comprado através de uma permuta com o antigo proprietário, será construído um edifício comercial de nove andares. O cinema será reconstruído no térreo do edifício, mas terá entrada independente: o Pathé, com entrada na Cristóvão Colombo; e o edifício, na rua Alagoas.
Segundo a assessoria da Farkasvölgyi Arquitetura, o projeto ainda não tem aprovação na Secretaria Municipal de Regulação Urbana, mas, após superar a etapa mais delicada, que é a aprovação no Conselho de Patrimônio, restam poucas possibilidades de que o projeto enfrente problemas. Com o projeto aprovado, o que deve ocorrer até o final deste semestre, a expectativa é que as obras durem dois anos e o edifício e o cinema sejam entregues no segundo semestre de 2015.
O investimento total é de cerca de R$ 20 milhões. As obras de revitalização serão
Cinema terá apenas uma sala, que será multiuso
O projeto de reconstrução do Pathé irá manter a estrutura original, com apenas uma sala de projeção, que será multiuso. Com espaço para 252 cadeiras e 449 m², incluindo assentos para pessoas com necessidades especiais e poltronas para obesos, a sala terá piso inclinado com possibilidade de ser regulado para receber outras atividades. A sala também irá ter um palco, salas de apoio, camarim e sala para equipamentos. A proposta da Fundação Municipal de Cultura é que a sala apresente obras fora do circuito comercial. No mesmo andar, haverá um café.
Além disso, o Pathé irá contar com um mezanino de 144 m² e área para exposições e uma sala que poderá ser utilizada para arquivos e projeções do Centro de Referência Audioviusual (CRAV).
Pathé já passou por várias tentativas de resgate
Inaugurado em 1948, o Pathé encerrou as atividades na década de 1990.O imóvel, que já serviu de estacionamento no início dos anos 2000, também abrigou uma galeria de lojas e uma igreja da Renascer em Cristo. O imóvel no bairro da Savassi é tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal, que proíbe que sejam feitas alterações na fachada.
Como explica Celina Albano, presidente da Associação Pró-Cultura (APA) e que foi secretária municipal de cultura de BH de 2001 a 2004, a Prefeitura de Belo Horizonte tentou recuperar o lugar quando deixou de ser igreja e ainda mantinha as cadeiras originais, mas os donos cobravam um aluguel muito alto. Na época, o aluguel girava em torno dos R$ 25 mil – menos da metade dos R$ 65 mil cobrados em 2012. “Tínhamos fechado patrocínio com a MBR, a Gerdau, a Acesita, mas precisávamos ser os donos do imóvel para retornar com o cinema. Em certa ocasião, até o governador Aécio Neves demonstrou interesse, mas o valor cobrado pelo imóvel era muito alto”, afirma.
Em dezembro de 2011, um vídeo fez sucesso ao propor uma nova revitalização para a Savassi. O filme, produzido pelo designer Lucas Carvalho a partir do projeto de conclusão de curso do arquiteto Marcos Franchini, propunha, dentre outras ações, a reabertura do cine Pathé, transformado em um espaço cultural multiuso. Eles receberam ligações de um possível investidor, mas nenhuma parceria foi fechada até então. “Lamento que o Pathé esteja nessa situação. Ele é um espaço de memória muito grande que está esquecido”, comenta.
O projeto de Marcos inclui um café, espaço para exposição de artistas, um teatro com cadeiras móveis que poderia servir para shows e espetáculos de dança e uma parte da plateia com cadeiras fixas, para filmes e peças teatrais. O desenho ainda inclui um terraço aproveitando a laje do imóvel para palestras e coffe break. “É difícil orçar custos do projetos sem ter noção de quem seria o investidor, a especificação de materiais, mobiliário e revestimentos são instrínsecas ao cliente que vai arcar com esses custos. Desenvolvi uma proposta coerente e ideal para um espaço mais flexível”, explica.
Fonte: Na Savassi
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