Lojas da Savassi desistem de funcionar até as 21 horas
segunda-feira, 22 de outubro de 2012Passou das 20h, lojas de portas fechadas na Savassi. O comum acordo firmado no dia 2 de agosto por cerca de 30 lojistas localizados na rua Antônio de Albuquerque e na Praça da Savassi que previa o funcionamento do comércio até as 21h não durou muito.
Comerciantes afirmam que, devido à falta de policiamento e ao baixo movimento do horário, portas abertas até as 21h não estavam compensando. Entre esse lojistas está Wesley Soares, funcionário da ArtMalas, que funciona na rua Antônio de Albuquerque. Segundo ele, o acordo firmado em agosto não foi de fato cumprido o que fez com que, aos poucos, os lojistas desistissem da extensão no horário de funcionamento. “Quando combinaram de ficar até as 21h, disseram que haveria eventos e policiamento reforçado, o que aumentaria o movimento”, conta o vendedor, que avalia as vendas em baixa dos últimos meses.
Gabriela Lima, gerente da loja Pimenta Verde, também na Antônio de Albuquerque, concorda que a sensação de insegurança aumenta a partir das 20h. “A rua é pouco movimentada e a insegurança aumentou muito. Fizemos um balanço entre os horários de 19h e 20h e vez ou outra sai uma venda. Depois disso, não compensa”, diz.
Se o perigo tornou-se motivo de alarde para comerciantes e transeuntes, a recorrente falta de iluminação na Praça da Savassi durante essa semana só fez aumentar a insegurança.
Quarteirão da Antônio de Albuquerque fica sem luz novamente nesta quinta. Problema já havia ocorrido no mesmo local em junho e em outo quarteirão neste mês.
Mas não são só prejuízos. Para Regina Nascimento, gerente da loja de calçados Fike Pize, enquanto efetivo, o funcionamento até às 21 foi vantajoso para a loja. “As vendas até às 21h foram excelentes no mês de agosto. A porcentagem de venda foi muito boa”, ressalta a funcionária, que lamenta a desistência do acordo por parte dos demais lojistas. “Infelizmente, nas outras lojas, como ninguém ficou, atrapalhou a gente que estava ficando. Uma aberta e todo mundo fechado não tem condição”, conclui.
A reação em cadeia de portas fechadas nesses pontos de comércio seguiu ciclo contínuo: quanto mais lojas fechadas, menos transeuntes e, consequentemente, mais queda nas vendas. Segundo Regina, o acordo feito em agosto não deu certo por falta de organização na hora de colocar em prática. “Quiseram fazer isso muito rápido, sem planejamento. Não deu tempo dos lojistas colocarem isso na cabeça, contratar funcionário, foi tudo muito corrido”, pontua.
A gerente diz que em agosto, enquanto vigorava o acordo, o policiamento na Rua Antônio de Albuquerque existia e garantia a segurança. “Todos os dias, às 20h, uma viatura parava aqui e só ia embora quando a gente fechava”, conta ela.
Entretanto, com a desistência dos comerciantes, a loja que persistia com o horário combinado em setembro, se viu obrigada a aderir ao antigo. “Ainda ficamos metade de setembro fechando às 21, mas não compensou. Mesmo assim hoje ficamos até as 20h, mais meia hora do que o resto do pessoal”. A loja funciona aos sábados até as 18h, como combinado em agosto.
Para o presidente da CDL Savassi, Alessandro Runcini, a proposta deveria ter sido mais elaborada antes de ser colocada em prática. “Temos que nos estruturar antes de começar com horário estendido. É preciso organizar melhor a participação dos lojistas, programar eventos de baixo impacto, como DJs e música ao vivo, organizar promoções em conjunto. Em um shopping é muito mais fácil até porque os lojistas são obrigados a cumprir acordos, mas a Savassi não funciona com imposições”, comenta. De acordo com Alessandro, não foi descartado o funcionamento até as 21h e pode ser retomado futuramente.
Já para a presidente da Associação de Lojistas da Savassi (Alsa), Maria Auxiliadora, a região não tem tradição de funcionar após as 19h. “Os lojistas tiveram muito prejuízo funcionando até mais tarde. Tenho 28 anos de lojista na Savassi e sei que a única data que se vende muito depois do expediente é o Natal. Fora de datas comerciais, acho muito arriscado estender o horário”, conclui.
A doméstica Maria da Conceição considera o funcionamento até as 21h um diferencial que a Savassi poderia oferecer. “Seria ótimo se funcionasse. Para quem tá saindo do serviço e está precisando de comprar as coisas, chega no centro e a maioria [das lojas] estão fechadas, seria tudo de bom saber que aqui as lojas ficam abertas até mais tarde”, opina a doméstica que trabalha no Bairro Cruzeiro e teria a Savassi como uma opção mais próxima para fazer compras pós-expediente.
Fonte: Na Savassi
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