{"id":534,"date":"2013-05-02T00:10:01","date_gmt":"2013-05-02T02:10:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontrasavassi.com.br\/noticias\/?p=534"},"modified":"2013-08-19T10:41:23","modified_gmt":"2013-08-19T12:41:23","slug":"um-mascote-de-pelucia-na-savassi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontrasavassi.com.br\/noticias\/um-mascote-de-pelucia-na-savassi\/","title":{"rendered":"Um mascote de pel\u00facia na Savassi"},"content":{"rendered":"<p>Secador de cabelo para o calor, fone de ouvido para improvisar a dan\u00e7a, 30 anos, pai de tr\u00eas filhos, evang\u00e9lico, ex-dan\u00e7arino de funk, feliz &#8211; a hist\u00f3ria de um cachorro da Emive na Savassi.<\/p>\n<div>\n<p>Sentado em sua cadeira pl\u00e1stica, ele agitava um secador de cabelo para refrescar o enorme capacete de pel\u00facia. O homem se abrigava do sol de duas horas da tarde debaixo da sombra de uma \u00e1rvore no canteiro central da avenida Get\u00falio Vargas. Foi ali mesmo que conversamos, eu e L\u00e9o, um dos muitos cachorrinhos da Emive que perambulam pela cidade \u2013 os nossos Mickey belo-horizontinos.<\/p>\n<p><strong>Quanto ganha<\/strong><\/p>\n<p>Leonardo Alves trabalha cerca de oito horas por dia durante a semana e cinco aos s\u00e1bados. Atualmente, ele est\u00e1 sempre em algum ponto da Pra\u00e7a da Savassi, salvo quando acompanha eventos, mas j\u00e1 marcou presen\u00e7a na avenida do Contorno com Nossa Senhora do Carmo. H\u00e1 quase um ano no emprego, L\u00e9o diz receber cerca de R$ 750 de sal\u00e1rio, mais transporte e vale-alimenta\u00e7\u00e3o. Com os descontos, segundo ele, o sal\u00e1rio fica em torno de R$ 600 \u2013 bem menos do que ele recebia quando trabalhava preparando sobremesas para uma grande empresa aliment\u00edcia, onde preparou comida para os oper\u00e1rios da reforma do Mineir\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O que acha do trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da tela de tecido, que \u00e9 um dos poucos pontos de respira\u00e7\u00e3o da fantasia de cachorro, \u00e9 poss\u00edvel ver os olhos de L\u00e9o brilhando quando ele fala da sua profiss\u00e3o. \u201cSinto muito orgulho do que fa\u00e7o, muito mesmo\u201d, afirma. L\u00e9o ama o contato com as crian\u00e7as, gosta da intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico e n\u00e3o se arrepende de ganhar menos que na \u00e9poca de preparar sobremesas. \u201cO mais dif\u00edcil \u00e9 arrancar um sorriso de homem, voc\u00ea sabe, a gente \u00e9 machista, parece at\u00e9 que \u00e9 errado sorrir pra um cara fantasiado de cachorro\u201d, comenta. O trabalho \u00e9 cansativo, entretanto. L\u00e9o, que retira a fantasia no bairro da Savassi apenas durante o hor\u00e1rio de almo\u00e7o, precisa se valer do secador de cabelos para se resfriar durante os dias quentes e para aquecer quando o clima est\u00e1 frio. Ele conta que j\u00e1 chegou a ficar desidratado uma vez quando se \u201cempolgou\u201d e n\u00e3o cumpriu as pausas durante o expediente.<\/p>\n<p><strong>Os sonhos<\/strong><\/p>\n<p>L\u00e9o mora no Morro das Pedras (como ele chama), Vila Leonina (como nomeia a Prefeitura), \u00e0s margens da avenida Raja Gabaglia na Regi\u00e3o Centro-Sul da cidade de Belo Horizonte. Evang\u00e9lico, 30 anos, ele j\u00e1 fez parte de um grupo de funk, mas largou a dan\u00e7a devido \u00e0 religi\u00e3o. Seus tr\u00eas filhos, Izabelle, Felipe e Ramon s\u00e3o cada um fruto de um relacionamento diferente e nenhum vive com o pai, um carma que repete a hist\u00f3ria de L\u00e9o com seu pr\u00f3prio pai, algo que ele gostaria de ter evitado e que L\u00e9o sonha em poder mudar. \u201cFui criado pela minha bisav\u00f4, que foi como uma m\u00e3e para mim, minha m\u00e3e foi como um pai e meu pai eu n\u00e3o conheci. Infelizmente acabei repetindo o que aconteceu comigo e meu pai, e meus filhos n\u00e3o moram comigo, moram perto, mas n\u00e3o vejo eles todos os dias. Meu maior sonho \u00e9 ter eles comigo, principalmente a Izabelle. Ela \u00e9, como se diz, meu xod\u00f3\u201d, desabafa.<\/p>\n<p><strong>Todos os cachorros de BH<\/strong><\/p>\n<p>Segundo L\u00e9o, hoje existem cerca de 10 cachorros fantasiados na cidade, todos homens. H\u00e1 outros cachorros em treinamento e h\u00e1 mulheres disputando vagas para o posto. Quando entrou na profiss\u00e3o, L\u00e9o conta que havia cerca de 20 cachorros em BH. Ele se lembra em especial de dois dos mais antigos, Matusal\u00e9m, que est\u00e1 h\u00e1 seis anos no cargo e j\u00e1 foi morador de rua, e Gleison, h\u00e1 nove, que nasceu com m\u00e1 forma\u00e7\u00f5es no rosto que s\u00e3o escondidas pela m\u00e1scara. \u201cEle se transforma quando veste a roupa. Acho que ele gosta pelo contato com as pessoas \u201c, comenta. L\u00e9o ainda acrescenta que hoje as pessoas respeitam quem trabalha fantasiado de cachorro, mas no passado j\u00e1 foi motivo de chacota e at\u00e9 de agress\u00e3o. \u201cAcho que foi com o Gleison, uns meninos j\u00e1 bateram nele quando trabalhava no Parque Municipal. A fantasia de cachorro ficou toda amassada\u201d, conta.<\/p>\n<p><em>Fonte: NaSavassi<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Secador de cabelo para o calor, fone de ouvido para improvisar a dan\u00e7a, 30 anos, pai de tr\u00eas filhos, evang\u00e9lico, ex-dan\u00e7arino de funk, feliz &#8211; a hist\u00f3ria de um cachorro da Emive na Savassi. Sentado em sua cadeira pl\u00e1stica, ele agitava um secador de cabelo para refrescar o enorme capacete de pel\u00facia. 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